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Caetano de Campos: A escola que mudou o Brasil

  • Segunda-Feira, 07 de Maio de 2012
    Futebol: Uma paixo que iniciou na escola- por Maurice Ricardo Pereira
  • por Maurice Ricardo Pereira- aluno da década de 1970

    Todos nós temos um hobby, uma paixão ou o que costumamos chamar de “válvula de escape”, algo que areja nossas mentes e almas, nos distrai e nos faz esquecer dos problemas e momentos de stress. Pois bem a minha válvula de escape é o futebol:

     

     

     O interesse pelo futebol vem desde a mais tenra idade como podem ver na foto acima, aos dois aninhos, e já segurando uma bola com todo o amor e carinho.

    Porém a paixão tomou forma na escola, na saudosa “Caetano de Campos”, onde por inúmeras vezes eu bati uma bolinha com meus amigos Guilherme, Marcelo José, Luis Antonio, Paulo José entre outros. São muitas lembranças e histórias para contar.

    Os cenários (campos) eram os mais variados, às vezes no pátio, principalmente na parte coberta, outras vezes nos arredores da escola, nas calçadas e até dentro da classe, bastava empurrar as carteiras e já conseguíamos um espaçozinho para o embate. 

    É mas a coisa não era simples não. Quem disse que a dita cuja (bola) estava a nossa disposição para realizarmos as famosas “peladas”.   Aí entrava em cena a criatividade.

     

     

    Utilizamos por inúmeras vezes as embalagens de sucos que comprávamos na cantiga da escola, iguais a da imagem acima.

    Como podem notar o formato da bola era dos mais variados, só não era redondo, acho que por isso algumas “feras” surgiram na nossa turma, afinal fazer embaixadinhas, driblar ou mesmo dar um chute com precisão eram façanhas para poucos.

    Já que tudo na vida evoluiu, as nossas bolas também evoluíram, porém para desespero de nossas mães, pois começaram a surgir as bolas de meia e aí haja “meia calça”. As bolas eram parecidas com a da imagem abaixo.

     

     

    Fomos crescendo e ficando mais ousados. Lembro que já estava no colegial e aí já na Caetano da Consolação. Por algum motivo os professores não retornavam do intervalo e uma muvuca se instalou pelas classes e corredores. Foi aí que decidimos realizar uma partidinha inocente de futebol, dentro da classe e que pela empolgação se estendeu pelos corredores. Detalhe, a bola era cor de rosa e grande, dava para vê-la de longe. Sei lá quem teve a brilhante idéia de trazer a bola.

    O que era inevitável aconteceu, surge o inspetor de alunos, não me recordo o nome dele, e no meio daquela confusão toda de alunos para tudo quando era lado, ele consegue enxergar apenas uma coisa bem lá no fundão do corredor....uma bola cor de rosa e um bando de moleques suados correndo atrás dela.

     

     

     A bola era igual a da imagem acima, pouco discreta não!!!!!

    Alguns minutos depois surgem os professores e todo mundo corre para dentro das salas. Porém no caso da nossa sala vem o professor e óbvio a diretora junto.

    Começa o inquérito.

    - quem estava jogando bola? Pergunta a diretora

    ......e se faz aquele silêncio na classe....nenhum ruído....apenas expressões de espanto ou cara de conteúdo.

    Com o silêncio dos alunos, vem a ameaça.

    - Se os culpados não se delatarem a classe toda será suspensa!!!!

    ......mais alguns segundos de silêncio...

    E aí veio o peso na consciência.

    De repente me vejo de pé, trêmulo, nervoso me entregando e já aguardando o pior. Atrás de mim mais uns dois ou três se entregaram.

    A boa notícia é que com a coragem de se entregar não veio punição, apenas um bilhete aos pais, porém a decepção foi ver que alguns colegas se fingiram de mortos e não se entregaram, ou seja, três ou quatro levaram a culpa por sete ou oito. Valeu de aprendizado e para ver como cada um reage diferentemente diante da pressão.

    Lembro-me que quando não tínhamos aula, aproveitávamos o precioso tempo de ociosidade para jogar futebol.  Um belo dia vem à triste notícia. A prática de futebol fora dos horários de educação física está proibida.

    Foram semanas de angústia, mas após algumas “negociações” com a direção, na verdade acho que vencemos pelo cansaço, o futebol foi liberado.

    Fomos para a quadra matar a saudade, começa o aquecimento, os times começam a ser escolhidos, o “craque” aqui dá um chute lindo, a bola sobe, passa por cima do alambrado, bate no vidro de uma sala de aula, e depois só se ouve um ruído de vidro se espatifando no chão.

    Essa tal de consciência é uma m...., não é mesmo? Lá vou eu novamente me entregar. Corro até a sala de aula que teve o vidro quebrado, e para minha sorte, quem era a professora que estava dando aula naquele momento? D.Dulce, minha querida professora do 4ª. ano primário.

    É verdade que ela estava com uma cara um tanto assustada, afinal o susto foi grande, mas rapidamente  comecei o discurso.

    -Fêssora, a senhora me conhece, sabe que não fiz por mau, foi um acidente, me desculpe.........a coisa terminou em pizza, e o mais importante o futebol continuou liberado.

     


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