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Caetano de Campos: A escola que mudou o Brasil

  • Sexta-Feira, 15 de Julho de 2011
    Iracema Marques da Silveira: Bibliotecria
  • A professora Iracema era paulista, nasceu em 1900, em Santa Rosa do Viterbo e faleceu e, 7 de janeiro de 1971.
       Em meados de 1908 veio para a capital e estudou no colégio interno das Senhoras  Redondo do Nascimento, onde concluiu o curso primário. Ficou alguns anos afastada da escola, durante sua infância e parte da juventude, devido a um acidente que sofreu durante a infância, cursando a segunda série, que afetou seriamente seus olhos e comprometeu sua capacidade de visão. Assim que recuperou parte dela, ingressou no curso para normalistas da atual Escola Padre Anchieta e, em 1918, formou-se professora.    
       Seu pai era farmacêutico e sua irmã, Noemi Silveira Rudolfer, professora da cadeira de Psicologia da escola Normal.
       Iniciou sua carreira no magistério paulista , em 1919, ao ser nomeada para o cargo de professora efetiva do Grupo Escolar do Pari. Após lecionar em vários grupos escolares, como a Escola Prudente de Morais e o Grupo Escolar Oswaldo Cruz, foi removida para a Escola Modelo, anexa à Escola Normal ( escola primária), em 24 de julho de 1930, assumindo o cargo de professora adjunta. Em março de 1931, 
       Iracema foi transferida para a Escola de Aplicação do Instituto Pedagógico de São Paulo, conforme decreto 4.888 de 12 de fevereiro de 1931.
       Lecionou em outros grupos escolares da capital e retornou ao Instituto de educação para exercer o cargo de assistente de Geografia e cosmografia em 13 de marco de 1934. Reassumiu o cargo efetivo no ano seguinte- em 18 de marco de 1935, no Grupo escolar São Paulo ( antigo Grupo escolar da Consolação) e , finalmente, em 29 de agosto de 1936 foi declarada em comissão, sem prejuízo dos vencimentos, junto ao Instituto de educação.A partir de então, assumiu a função de bibliotecária.
       Em 5 de abril de 1939, foi designada para exercer o cargo de adjunto-bibliotecária da escola Primária, anexa a então denominada escola “Caetano de Campos”. Entretanto, somente em 7 de novembro do mesmo ano, após o terceiro aniversário do Jornal ‘Nosso Esforço”- que assumiria no terceiro número, em 1936- a secretaria de educação a nomeou para o cargo de adjunto-bibliotecária, atendendo à solicitação da diretora da escla primária Carolina ribeiro, regularizando a função que já exercia desde 1936.
       Além do trabalho que desenvolvia na Biblioteca Infantil participava, também de projetos vinculados à Diretoria de instrução Pública voltados à promoção e à difusão das bibliotecas escolares nas escolas públicas paulistas.Em 4 de setembro de 1955, foi designada para constituir a Comissão Orientadora de Literatura Infanto-Juvenil da secretaria de educação do estado. Permaneceu coordenando os trabalhos da Biblioteca Infantil “Caetano de Campos”até 20 de julho de 1966, quando se aposentou.
       A bibliotecária Iracema Marques da Silveira e a diretora Carolina Ribeiro desenvolveram projetos escolares, na escola primária e normal, dirigidos à preparação moral, cívica e higiênica das crianças e suas famílias que, de certa forma, auxiliaram n mediação dos interesses deste grupo paulista no enfrentamento das reformas educativas da década de 1930.
       Assim, investidas com a autoridade do cargo que ocupavam, reorganizaram a biblioteca escolar do curso primário, que passou a chamar-se Biblioteca Infantil “Caetano de Campos”e converteu-se num lugar que concentrou os principais projetos da escola. Nete espaço coordenaram as atividades  “ extracurriculares “- assim denominadas em documentos da época- “indispensáveis `atuação escolar (…) “( BIBLIOTECA, 1942)”. Sobretudo Iracema, responsável pela ampliação dos serviceos oferecidos aos alunos, pela conservação e guarda dos documentos escolares e pela criação de novos setores, muitos  dos quais, na prática, equiparavam-se a postos de trabalho mirins.
       Estimulados por Iracema, os pequenos que trabalhavam na biblioteca tornavam-se, de acordo com a função que exerciam “alunos-bibliotecários “, “alunos-redatores “ou, ainda, “pequenos jornalistas”, conforme denominação da época. A exemplo dos instrumentos de controle de trabalho, próprios às unidades de produção, os alunos submetiam-se ao cumprimento rígido de regras e horários, em sua função. Este fator levava os mais assiduous ao privilégio de verem seus nomes divulgados, a cada número do Jornal Infantil “Nosso Esforço ”, como compensação, pela responsabilidade que demonstraram na execução de suas tarefas. Este clima austero de trabalho e disciplina era sentido, também,nas demais dependências da escola, era com rígida disciplina que alunos e professores estavam sempre preparados para recepcionar as frequentes visitas de autoridades públicas, fazendo desta escola uma grande vitrine educacional do país.


    Fonte:Ana Regina Pinheiro- tese de doutorado da Faculdade de Educação da Unicamp

     

    Como professora em 1931

     

    Em comemoração aos 10 anos do Jornal Nosso Esforço: ao centro a ex-aluna Ilka B. Laurito redatora-chefe no Jornal, esta ex-aluna esteve sempre presente , contribuindo em várias ocasiões da vida da escola. Ao fundo, seus colegas, as crianças são pequenos jornalistas , à esquerda D. Iracema, e à direita, de óculos, a diretora D. Carolina Ribeiro- 1946

     

    Mesma comemoração na biblioteca infantil em 1946

     

    Década de 1950: à direita, D. Iracema segurando projetor na sala da Biblioteca



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