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Caetano de Campos: A escola que mudou o Brasil

História da escola

  • Terça-Feira, 08 de Novembro de 2011
    A Escola e seus Equipamentos no Laboratrio de Psicologia
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    Maria Antonieta Martinez Antonacci é Doutora em História pela USP e professora no Departamento de História da PUC/SP, ela já orientou diversas teses onde aparecem assuntos ligados ao Caetano de Campos, me concedeu a entrevista na PUC/ São Paulo em outubro de 2011.
    Obs. a data que foi cortada no filme é de 1932- data do manifesto assinado por Fernando de Azevedo).



     

    Em 1914, ao lado de seus consolidados Laboratórios de Física, Química e Biologia da Escola Normal, for a criado o Laboratório de Psicologia experimental, sob a direção do psicólogo Ugo Pizzoli, professor da Universidade de Módena. Objetivo; montar um gabinete psicotécnico, com todos os aparelhos necessários para as experiências mais importantes no campo de medidas de inteligência, avaliação de aptidões e testes profissionais.
    Mesmo que tenha sido uma experiência isolada na década de 1910- pois, com o retorno do psicólogo italiano, o Gabinete de psicologia foi desativado-, suas idéias e aparelhagens ficaram em estado latente até 1927, quando foram retomadas em conjunto com outros temas e problemas educacionais, em meio aos conflituosos desdobramentos da questão social de então,
    num processo de lutas em várias frentes, a formulação das chamadas “bases científicas “da Educação, assim como do pretendido direito de todos à escola única- dois fortes intrumentos de combate a propostas populares de Educação teve subjacente a recuperação do Laboratório de Psicologia Experimental.

    Aproveitando a vinda ao brasil do psicólogo francês Henri Pierón, professor da Sorbonne de Paris, o Diretor-geral da Instrução Pública de São Paulo, Prof. Pedro Voss, articulou a retomada das atividades do antigo laboratório com uma série de conferências sobre Psicologia geral e Psicotécnica, secundadas por aulas práticas de Psicologia experimental. Os recursos materiais e intelectuais da Escola foram acionados, voltando a funcionar aparelhos para medir a fadiga, os tempos de reação, as sensações cutâneas, visuais e auditivas; para determinar a atenção e as percepções, a acuidade visual e auditiva;  bem como testes para classificar o nível mental, a atenção, a memoria, o caráter, a personalidade e para orientar racionalmente os ofícios e as profissões ( testes vocacionais).

    E foi atuando através de diversos aparelhos- dynamometro ( medidor de precisão motora), galvanômetro ( medidor de cargas emocionais), compasso de webwer ( medidor de sensibilidade tátil), ergografo de Mosso e metrônomo( medidores de fadiga motora), cronoscópio e cronômetro ( medidores de tempos de reação), campímetro ( determinador de campo visual), fotoestesiômetro de Pierón ( medidor de sensibilidade visual), etc- que professores e funcionários do Laboratório de Psicologia experimental procuraram revelar ” como se faz com uma chapa fotográfica, por meios técnicos “, o que se passa no interior de uma célula nervosa.
    Entretanto, para educar a atenção, a memória, a percepção- procurando atingir novas sensibilidades, num processo de produção de indivíduos para a sociedade contemporânea- , os escolanovistas foram além – esses educadores manifestaram interesse pelos novos recursos audiovisuais, com destaque do cinema educativo.
    Professor de Psicologia na escola normal de São Paulo, Lourenço Filho tornou-se Diretor Geral da Instrução Pública de São Paulo no imediato pós –outubro de 1930, quando tomou providencias para promover o cinema educativo em nível estadual. Aparelhou várias escolas com projetores, câmaras, filmes e equipamentos congêneres, chegando a nomear uma comissão composta por Venâncio de Barros ( presidente da Sociedade de fotografia) e pelos professores José Orlandi e Galaor de Araújo- para estudar a melhor forma de expansão do cinema nos estabelecimentos de ensino. Mas não era qualquer tipo de cinema. Na perspectiva de explorar, na direção de seus desígnios regeneradores, a força sugestiva das imagens, os escolanovistas incentivaram um cinema patriótico sadio e higiênico, censurandoum cinema perturbador dos bons costumes. 
    Na Era Vargas, Roquette Pinto, juntamente com Humberto Mauro, o diretor de filmes, produziram, com um acordo feito pelo então ministro da cultura Gustavo Capanema, inúmeros vídeos educativos através do recém criado INCE- Instituto Nacional do Cinema Educativo .
    Dentre os defensores da utilizacão do cinema na educacão podemos nos remeter a Fernando de Azevedo, que nos anos de 1920, será mentor de reformas educacionais que, entre outras medidas, incluirão o cinema como proposta de ensino. Como integrante dos setores administrativos, ocupou cargos referentes à escola primária, secundária, normal e superior. Foi responsável pela reforma educacional de 1928 e participante do Manifesto dos Pioneiros da Educacão, de 1932. Considerava que o cinema, assim como o rádio, eram novos meios que serviam à “educacão popular pelo seu extraordinário poder de sugestão”. Para ele, estes meios, desempenhavam um papel tão importante, que a influencia deles na sociedade já era considerada superior à do jornal diário, “sobretudo em países onde são ainda numerosos os iletrados”.
     
    Cerca de 1914- Caetano de Campos- Testes do Gabinete Psicotécnico
     
    Vitrola e equipamento de filmagem remanescentes do começo do século passado, encontrados no acervo da escola- CRE Mário Covas

     

    Equipamentos da Escola no CRE Mário Covas


    Fonte:
    Antonacci, Maria Antonieta Martinez- A escola e seus equipamentos- “Caetano de Campos”Fragmentos da História da Educação pública no estado de São Paulo- Maria Cândida Delgado Reis

    Catelli, Rosana Elisa- O Instituto Nacional de Cinema Educativo

     


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