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Caetano de Campos: A escola que mudou o Brasil

Histórias Caetanistas

  • Segunda-Feira, 09 de Janeiro de 2012
    Antonio Paim Vieira
  • Antonio Paim Vieira ( 1895-1988), foi contemporâneo de Guiomar Novaes, no Jardim de Infância da Escola Caetano de Campos, em 1900.
    Estudou até finalizar o Curso Normal, onde participou ativamente do Grêmio Estudantil 2 de Agosto.
    O grêmio criado em 1906 produzia uma revista chamada “O Estímulo”que contava com a participação de alunos escrevendo textos, poesias, críticas literárias e assuntos ligados à educação e à Escola.
    Paim Vieira era um dos ilustradores da revista.

     

    1913-Ilustração da revista do Grêmio "O Estímulo"

     

    1913-Ilustração da Revista "O Estímulo", quando era estudante

     

    1913- Alguns diretores da Escola Normal, como Caetano de Campos no alto, à esquerda ©abriel Prestes, à direita Dr. João Alberto Salles ( oitavo diretor) e abaixo Carlos Alberto Gomes Cardim ( sub-diretor em 1913 e diretor entre 1925 e 1928), o prédio do Jardim da Infância, no alto à direita ( foi demolido em 1940) e o prédio da Escola em baixo.

    Com estilo Art Noveau misturava fotografias e desenhos de plantas e mulheres, um estilo que o levou depois a colaborar com publicações importantes da época como as revistas A Cigarra, Fon-Fon , Para Todos, em 1923  ilustrou a Revista Ariel e em 1926 o livro Pathé Baby de Antonio Alcântara Machado.

     

        A cigarra e a formiga- 1917- Nanquin-Versos de Martins Fontes

    Introduziu o  “Art Noveau”  e as linhas arrojadas do “Art Deco “,uma nova linguagem para as capas de revistas.Assim como o periódico Moderno a Revista Novíssima sob a direção de Menotti Del Picchia, Cassiano Ricardo e Plinio Salgado.
    Ilustrou o livro “As Máscaras”em 1920, para Menotti Del Picchia, que mais tarde foi um dos organizadores da Semana de Arte Moderna.
    Participou da Semana de 22, onde juntamente com o artista Yan de Almeida Prado apresentou 5 trabalhos . Infelizmente como seu nome não foi colocado no programa do evento, nem todos sabem da participação deste talentoso artista.
    O grito de modernidade da Semana de 22 que ele não acreditava que deveria ser da maneira como os artistas modernistas pretendiam, com valores europeus introduzidos em São Paulo, mas com um estilo moderno com características e elementos nacionalistas. Era dessa forma que Paim acreditava na modernização da produção gráfica no Brasil. Paim Vieira estudou as nossas etnias ilustrou inúmeras vezes com figuras do nosso samba, carnaval e do nosso frevo.


    ""Entramos dentro daquele moviment o com espírito de gozação, mal sabendo que o verdaeiro espírito da escola era o 'sense of humour'...-Paim Vieira "

     

    Foi ilustrador de inúmeros livros, como por exemplo a capa feita para Monteiro Lobato em “Urupês”, de 1944, onde aparece pela primeira vez o personagem Jeca Tatú, editado pela Livraria Martins Editora, onde utiliza a técnica de Xilogravura, que seria usada muitas vezes em seus trabalhos.


    Desenvolveu vasto trabalho em azulejaria e na década de 1940 desenvolveu os azulejos da Igreja Nossa Senhora do Brasil, além de pintar todo o teto da Igreja e seus vitrais.
    Os azulejos remetiam às raízes portuguesas, já que uma forte caracacterística de seu trabalho era o nacionalismo.

     

     Igreja Nossa Senhora do Brasil- fachada

     

      Detalhe da fachada da Igreja Nossa Senhora do Brasil

    O projeto desta igreja é do Arquiteto Bruno Simões Magro, que foi professor da Academia de Belas Artes de São Paulo, logo que foi fundada por Pedro Gomes Cardim( irmão do ex-diretor da Escola Carlos Gomes Cardim) e lá também estudou Paim Vieira.
    Antonio Paim Vieira foi ceramista, ilustrador , cenarista e professor de Arte decorativa e História da Arte, tinha um carinho especial pela Escola, tanto que em 1946 no Centenário da Escola Normal e Cinquentenário do Jardim da Infância, participou das comemorações fazendo um trabalho conjunto com Guiomar Novaes, ele contando a história da pianista, criança prodígio do Jardim e ela tocando ao piano. Os dois fizeram parte da comissão organizadora do evento e de uma comissão especial, que junto com a diretora Carolina Ribeiro foi pedir verbas para o governador ampliar as instalações do prédio da Escola ( o que conseguiram).

     

    Tucanos- Projeto para prato


    Fonte: Cre Mario Covas: Revista ”O Estímulo- 1913
    Amaral, Aracy- Artes plásticas na Semana de 22. São Paulo: Ed.34, 1988
    Poliantéia Comemorativa 100 anos da Escola Normal-1946
    Relatório da Comissão Organizadora do Centenário do Ensino Normal-1946
    Imagens- blog antoniopaimvieira.blogspot.com



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