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Caetano de Campos: A escola que mudou o Brasil

Histórias Caetanistas

  • Sábado, 25 de Fevereiro de 2012
    Jorge Americano
  • Foi aluno da Escola Caetano de Campos e escreveu um livro sobre a cidade de São Paulo na virada do século, com seus costumes e peculiaridades e citou a escola em vários capítulos.
    Jorge Americano nasceu em 25 de Agosto de 1891. Era filho de Amélia Cardoso Americano e do Coronel Luiz Americano. Não é irmão de Oscar Americano, como muitos imaginam.
    Morou no bairro dos Campos Elíseos e era de família abastada. Casou-se com Maria Rafaela de Paula Souza e teve um filho.
    Formou-se em Direito, em 1912.
    A partir de 1927 conquistou livre-docência em Direito Civil, foi eleito deputado e em fins de 1928 foi nomeado por Washington Luís procurador-geral da Justiça do Distrito Federal, no Rio de janeiro.Na década de 1930 veio para São Paulo e começou a lecionar no Ginásio São Bento e na Escola de Comércio Álvares Penteado.
    Em 1933 tornou-se catedrádico de Direito Civil na USP, onde permaneceu até 1962.
    Foi presidente do Instituto dos Advogados e até atuou como juiz no Tribunal de Arbritagem de Haia.

     

    Jorge Americano quando então reitor da USP

    Foi reitor da Universidade de São Paulo de 19/07/1941 à 10/10/1946.
    Foi um dos criadores e fundadores da Faculdade de Direito Mackenzie,  onde foi ministrou a aula inaugural no dia 12 de Abril de 1955. Foi seu diretor da Instituição afastando-se depois desta escola por divergir-se dos outros membros da diretoria. Dedicou-se então à pintura e literatura.

     

     de Jorge Americano : encontra-se na sala de professores da Faculdade de Direito Mackenzie

     

     Jorge Americano- fotografia do arquivo da Faculdade de Direito Mackenzie

    Escreveu inúmeros livros jurídicos e publicou o livro de crônicas “São Paulo Naquele Tempo” ( 1895-1915) em 1957, “São Paulo Nesse Tempo “( 1915-1935) e ”São Paulo atual ( 1935-1962)
    Faleceu em  6 de fevereiro de 1969, aos 78 anos.

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    Do Livro São Paulo Naquele Tempo- 1895-1915 :



    Quando Jorge Americano foi com os seus pais, pela primeira vez à escola , em 1898, contou o seguinte:

    “Na Praça da República entraram no edifício da Escola-Modelo Caetano de Campos pela porta lateral da seção masculina, que dava para o lado da Rua Araújo, onde começa a Rua Marquês de itú.
    Passando o saguão, dobraram o corredor à direita e o pai bateu à segunda porta. Abriu-a uma moça loura, e entraram na sala de aulas onde haveria uns 40 meninos, todos a olhar para o recém-chegado.

     

    O casal trocou palavras com a moça, pedindo-lhe que o menino não podia sentar-se perto da janela nem tomar vento encanado, porque era delicado de saúde. Beijaram-no, recomendando-lhe que se portasse bem, e que o pai viria buscá-lo às três horas da tarde…”

     

    O Primeiro Ano Escolar

    Um dia fôramos ver um desfile militar no Largo do Palácio. Era um batalhão da Força Pública, que vinha , vitorioso, da Revolução de Canudos…
    No meio dos soldados um menino de sete anos , mais ou menos, fardado. Era dos últimos remanescentes da gente do Antônio Conselheiro…Ele era Ludgero Prestes, por ter sido adotado por Gabriel Prestes.
    Quando fui matriculado na escola Caetano de Campos, Ludgero estava lá, também no primeiro ano. Foi professor, diretor de Grupo Escolar, inspetor escolar. Faleceu há poucos anos”.

     

    Ludgero Prestes

    (A história sobre Ludgero Prestes já foi publicada no blog , no mês de Janeiro de 2012.)


    “A escola era bem organizada. Cesário Mota, Caetano de Campos, Miss Browne…tinham modernizado o ensino. Os professores amavam a tarefa. Ensinavam bem. “Cartilha das Mães”, de Arnaldo Barreto, o qual dirigia, com título de Inspetor , a sessão masculina…

     

    Pauzinhos de tamanhos de meios-palitos para aprendizado de somas e subtrações. Cartões em cores variadas, de formas triangulares, poligonais, para geometria. Pequenos cubos, cones, pirâmides, cilindros de madeira, para geometria no espaço…
    Quando dava cansaço, dez minutos de cânticos em aula. Novos estudos. Novo cansaço, os meninos faziam marcha ritmada em torno das ala, ao som de palmas da professora, ou com música de piano. No próximo descanço, ginástica ritmada, dos braços, na sala.

     

    Havia também aula de ginástica sueca no patio do recreio, com bastões, marchas, corridas, saltos de trampolim, subida de corda, pulos de cavaletes, exercício de paralelas e barra fixa.
    O batalhão escolar era uniformizado de branco, chefiado pelo prof. Augusto de Carvalho, do 5* ano, que o superintendia nos dias de festa, fardado de capitão da Guarda Nacional.

     

    O comandante, Colatino Fagundes, era já do curso complementar, e o vice-comandante Januzzi também. Nos dias de festa nacional eles montavam cavalos brancos, no desfile…

    Um grupo de maiores, do quarto ou quinto ano, saía à tarde , uma vez por semana, com seu Carvalho… iam jogar um novo jogo de bola chamado “football”, no descampado atrás da capela de Santa Cecília.- 1900/1902

    No recreio jogavam-se bolinha de gude. Brincava-se de barra-bandeira e de barra-manteiga, ou de acusado”. Às vezes seis ou oito meninos engarupavam-se nas costas de outros tantos, formando roda, jogando bola. O que não apanhava a bola passava a ser cavalo, e o cavalo a cavaleiro.

     

    Ao fim do recreio seu Arnaldo Barreto vinha ao patamar da escada, com uma sineta na mão. ( este foi um dos maiores mestres da escola, criador de várias cartilhas, fundou a escola de grumetes da marinha, entre outras coisas). Meninos corriam a ele, pedindo para deixá-los bater a sineta ( essa sineta continuou na escola até o final da década de 1970, quando a escola fechou suas portas na Praça da República, tem coisas que nunca mudam, pedíamos também para as inpetoras pra badalarmos a sineta)

     

    Formavam-se as filas e os alunos acompanhavam suas professoras até a salas de aula.
    Se chovia , o recreio era na sala de aula. ( Isso nunca mudou!). As merendas dos meninos eram levadas em latinhas verdes com um menino e um cachorro estampados ( para os meninos) Para as meninas era cor de rosa, estampada uma menina pulando corda.

    Os Outros Anos Escolares

    No Segundo ano ensinava D. Isabel…Começamos a escrever a tinta ( como na década de 1970!). Desenhávamos mapas do estado de São Paulo e do Brasil. Multiplicações e divisões. Pequenos problemas. Aulas de modelagem, com barro mole, no porão da escola.

     

     Modelávamos laranjas, maçãs, pequenos objetos de uso, sob a direção do seu Aymberé.
    O terceiro ano começou regido por D. Chiquita e foi substituida por D. Eunice. Frações ordinárias, decimais, problemas mais difíceis. História natural, noções de física, botânica e zoologia. Marcenaria, no porão, com seu Bruno. Eram pequenas réguas, pranchas, cabides, molduras e quadros.
    No quarto ano passamos a ter professor, seu Puigari ( ele foi aluno do grande mestre Romão Puigari, o criador do Hino Salve Escola!!!). desenvolveu-se o curso no mesmo teor. Acrescentou-se a química com pequenas experiências em aparelhos.

     

     Romão Puigari


    No quinto ano , seu Carvalho. Fanatizava os meninos. Tinha um topete caido sobre a testa, quando andava sacudia o corpo e o topete balançava…em casa, os pais não sabiam porque os filhos queriam andar despenteados, com o cabelo caído na testa.







    Fontes:

    Academia Brasileira de Direito Processual Civil

    Revista Mackenzie: Comemorativo de 50 anos da Faculdade de Direito

    Americano, Jorge- "São Paulo naquele tempo"( 1895-1915)- Saraiva- 1957

     



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