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Caetano de Campos: A escola que mudou o Brasil

Matérias variadas

  • Quinta-Feira, 22 de Setembro de 2011
    Homenagem memria de Caetano de Campos: 120 anos
  • Este ano, no dia 12 de setembro,  completou-se 120 anos da morte de Caetano de Campos, patrono de nossa escola. Uma missa foi encomendada na Igreja da Consolação, que sempre acolheu os alunos nas escolas em diversas celebrações de primeira comunhão e missas de formatura. Falei algumas palavras sobre o patrono e terminei dizendo que seu nome sempre será lembrado por nós, caetanistas, como o grande realizador dos sonhos impossíveis.

     

    Tarzio Tomei, eu, uma colega dos anos 60, prof. Elza, D. Eloá filha de D. Carmela, diretora do primário e a neta de D. Carmela

     

    18/09/2011- Domingo: Igreja da Consolação- Colega dos anos 60 à minha esq e na ponta direita





    Ex-alunos fazem em SP homenagem ao


    patrono do 'Caetano de Campos
    '


    Reunião será na antiga sede do tradicional colégio na Praça da República.
    'Caetanistas' vão lembrar os 120 anos da morte do diretor da escola.

     

    Um grupo formado por ex-alunos e professores de um dos mais tradicionais colégios paulistano, o Instituto de Educação Caetano de Campos (atualmente chamado de Escola Estadual Caetano de Campos) fazem nesta terça-feira (20) uma homenagem ao patrono que dá nome à escola.

     

    A reunião será a partir das 15h na antiga sede do colégio, na Praça da República, onde atualmente funciona a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. Os “caetanistas”, como são chamados, vão lembrar os 120 anos da morte de Antônio Caetano de Campos, que foi o primeiro diretor da Escola Normal, que deu origem ao colégio que leva o seu nome. “Será a primeira vez que os ex-alunos vão se reunir desde que a escola deixou a sede na Praça da República, há 34 anos”, afirma Patrícia Golombek, uma das organizadoras do encontro.

     

     

     

     

     

     

    Ela estudou no “Caetano de Campos” até 1978, quando o governo decidiu tirar a escola da sede no Centro de São Paulo para colocar a Secretaria da Educação no lugar, e a desdobrar em duas, com sedes na Aclimação e na Consolação. “A escola promovia um contato da família com o corpo docente fundamental para a formação dos seus alunos”, diz Patrícia, que criou o blog Caetanistas78 para contar a história do colégio.

     

    Crianças plantando árvores na frente da escola na década de 1950 (Foto: CRE Mario Covas/Divulgação)

     

     

    Patrono do colégio, Caetano de Campos foi responsável pela maior Reforma de Ensino Público no Estado e criador da primeira escola primária de São Paulo, em 1890. Ele conseguiu a verba para a construção da sede da escola, que se iniciou em 1891, porém, faleceu prematuramente aos 47 anos sem poder ver seu sonho realizado, o prédio idealizado pelo arquiteto Ramos de Azevedo foi inaugurado em 1894.

     

    A escola teve o primeiro jardim de infância público, em 1896, abrigou a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP e foi a primeira escola a aceitar deficientes visuais e auditivos. Também foi a primeira escola não americana a ter aulas de educação física.

     

    Escola foi a primeira a aceitar alunos com
    deficiência visual ou auditiva (Foto: CRE Mario
    Covas/Divulgação)

     

     

    O “Caetano de Campos” teve como alunos ilustres Francisco Matarazzo,Guiomar Novaes, Cincinato Braga, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Patrícia Galvão (Pagu), Dorina Nowill, Cecília Meireles, Sergio Buarque de Hollanda, Emerson Fittipaldi, entre outros.

     


    Boa parte desta história está registrada no Centro de Referência em Educação Mario Covas, coordenado pelo Memorial da Educação Paulista, que também apoia o encontro dos ex-alunos e professores.

     

     

    Aula de educação física em 1956 (Foto: CRE Mario
    Covas/Divulgação)

     

    O evento foi organizado por Fernando Amaral, Roseli Mendonça, Guilherme Braga e Chedi Abrahão.



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    No dia 20 estavam presentes inúmeros colegas caetanistas de muitas gerações, professores queridos, que foram homenageados e até 4 alunos representando o  Caetano de Campos da Praça Roosevelt, acompanhados pela vice-diretora Maria do Socorro.
    Foram convidados a falar: o secretário adjunto da secretaria da Educação Fernando Padula , filho de uma caetanista; Maria Salles, diretora do CRE Mário Covas, Dr Modesto Carvalhosa, caetanista que esteve à frente em 1975 no movimento para que a nossa escola não fosse demolida e presidente de honra da associação dos ex-alunos, eu , Patrícia Golombek, ex-aluna que ingressou em 1969 no segundo grau do jardim e sai em 1978 na oitava série, D. Kiyome Okamoto Kato, ex-aluna, professora e orientadora pedagógica da escola nas décadas de 1970 e 1980, Fernando Amaral, organizador do evento , ex-aluno que abriu e encerrou a cerimônia e Arystóbulo Freitas, ex-aluno , atual presidente da Associação dos ex-alunos da escola, que conduziu todo o evento.


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    D. Angela Amoroso declamou um poema de autoria de sua mãe, a grande mestra Cecília Amoroso, que além de ex-aluna, dedicou sua vida ao magistério e desenvolvimento de novas metodologias de ensino na nossa escola:

     

    Poesia

     

     Notícia da década de 1970

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    Meu discurso:


    É muito bom estar aqui neste auditório após tanto tempo! Imagino que todos nós somos cúmplices da mesma emoção! Quanta coisa boa aconteceu aqui, quantas festas, quantas comemorações, quantas alegrias! Que escola!Temos aqui presentes várias gerações que nesse prédio vivenciou o que foi uma das maiores institui,cões de ensino público do país, todos testemunhas do que era a amizade entre professores, diretores, alunos e suas famílias.  Tudo começou há muito tempo atrás, quando o médico e professor Antonio Caetano de Campos realizou a maior reforma de ensino do Estado e mudou todo o conceito de estrutura escolar e métodos de aprendizagem.
    Antonio Caetano de Campos nasceu em São João da Prata, província do Rio de Janeiro ,no dia17 de maio de 1844; aos 9 anos perdeu seu pai e era filho único, mudou-se para a corte, denominação da cidade do Rio de Janeiro , onde com os esforços de sua mãe, foi matriculado no Colégio Tautphoeus. Logo, chamou a atenção do próprio diretor Tautphoeus por se destacar entre os demais alunos e este liberou a mãe de Caetano do pagamento da escola. O diretor custeou a Faculdade de Medicina, onde Caetano de Campos formou-se e foi orador da turma.
    Assim que se formou, foi nomeado cirurgião da armada para servir na Guerra do Paraguai, Permaneceu por dois anos em navios e lá contraiu Beribéri. Beribéri é a falta de vitamina b no organismo e faz com que a pessoa sofra de uma grande fraqueza muscular, atacando até o coração e levando à morte. Não havia tratamento específico para essa doen,ca naquele tempo.
    Caetano de Campos casou-se com Maria Julia da Mota Rio e mudou-se para São Paulo.  Trabalhou como médico e após participar de uma cirurgia longa e complicada, obtendo exito, tornou-se conhecido. Não cobrava dos pacientes pobres. Era tido como uma pessoa amável e carismática. Foi convidado para dar aulas no Colégio Pestana, do republicano Rangel Pestana, dando aulas de ciências , física e química, além de ser convidado para o cargo de cirurgião –chefe da Santa –Casa de Misericórdia. O local era tão mal conservado, sem equipamentos, sem estrutura e sem funcionários, que Caetano de Campos foi atrás de ajuda de duas senhoras da alta sociedade paulistana: D. Veridiana Prado e D. Benvinda Ribeiro de Andrade e com elas conseguiu verba e terreno para a construção da atual Santa Casa de misericórdia, localizada na Chácara Marechal do Arouche. Convidou as irmãs da Congregação São José do Chamberry para que cuidassem dos enfermos.
    Com a mudança da Monarquia para a República, foi convidado para realizar a grande Reforma no Ensino, onde adotou o método de Pestalozi, mudando todo o quadro disciplinar e criando um novo conceito no ensino.
    Foi convidado então pelos três dirigentes recém- empossados da província de São Paulo a dirigir a Escola Normal. Assim que assumiu, criou  Escola modelo , que era a escola primária,anexa à Escola Normal. Contratou Miss Browne para assumir a diretoria da ala masculina da escola modelo e colocou aulas de educação física no currículo escolar.
    Juntamente com os governadores do estado arrumou verba para a construção de um dos maiores símbolos da República: uma escola pública com uma arquitetura à altura dos novos ideais republicanos,uma escola ampla, digna onde todos teriam acesso ao melhor ensino que um governo jamais havia sonhado.
    Em 1890, o engenheiro Paula Souza fez o primeiro esboço da escola, que mais tarde seria desenvolvido e realizado por Ramos de Azevedo. Após um ano como diretor da escola e como diretor da Beneficiência Portuguesa, aos 47 anos, tendo formado apenas uma única turma em sua direção, Caetano de Campos faleceu em consequência da doença que havia adquirido anos antes.
    Deixou mulher e sete filhos.
    Gabriel Prestes  assumiu então a direção da escola, que em 1894 teve sua sede finalmente inaugurada e dois anos depois criou o Jardim da Infância, um dos primeiros do Brasil.
    Desde a  morte do nosso patrono, todos os anos o mesmo é lembrado de geração em geração.
    Em 1974, quando eu estava na quarta série, fizemos uma homenagem na frente da escadaria, na porta principal da escola. Estavam presentes: nosso diretor, Prof. Fábio de Barros Gomes, os netos de Caetano de Campos e todas as quartas séries com alunos e suas professoras. Minha classe encaminhou-se para o Cemitério da Consolação, onde eu fui incumbida pela minha professora, D. Kiyome, a fazer o discurso, como este que estou fazendo aqui hoje.Um pouco menor, é claro, mas ela exigiu que eu falasse de cor. Até hoje me lembro da primeira frase: meus digníssimos diretores, professores e meus caros colegas de estudo, estamos aqui reunidos…
    Até d. Maria Medeiros falou, quem não se lembra dela?D. Carminha também estava lá.
    A verdade é que mesmo com a saída de Caetano de Campos, a semente desta nova escola germinou, os novos diretores que assumiram este importante cargo levaram à frente seus ideais e a escola tornou-se um exemplo para todo o Brasil: dos seus bancos saíram profissionais das mais variadas áreas de ensino, criadores nos mais diversos métodos, pioneiros, brasileiros em busca de uma educação voltada para a nossa realidade. Foi neste prédio que os primórdios da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP teve sua sede no terceiro andar, que a Faculdade de Psicologia deu seus primeiros passos, que um dos primeiros centros de puericultura da cidade atendeu à sua população, que os primeiros alunos com deficiência visual e auditiva puderam frequentar as aulas normalmente com o apoio de colegas e professores e pessoas de todas as religiões raças e níveis sociais conviveram em perfeita harmonia, com uma educação de qualidade, com respeito,  com amor e com uma ligação muito forte com este prédio.
    Gostaria de citar somente alguns de seus diretores, muito queridos por todos que se destacaram ao longo dos anos: D. Carolina Ribeiro, que numa época onde ninguém tinha telefone conseguiu proezas na educação que deixou até Getúlio Vargas de boca aberta, assim como Caetano de Campos. Foi uma pessoa que concretizava idéias. Foi a primeira Secretária de Educação do Brasil .Os diretores da família Cardim, Carlos e João Carlos, Francisco Cimino, Mário Marques,o querido Raul Schwinden, conhecido como o diretor democrático, Orestes Rosolia, D. Corintha Acciolly, diretora do primário,  a heroína mãe de seis filhas caetanistas, que com sua generosidade fez com que muitas campanhas em benefício dos mais necessitados obtivesse enorme sucesso, além de ser querida e admirada por todos,D. Lavínia Benevides do Jardim ,assim como, D. Irene Vilhegas, nossa pequena grande diretora que por trinta anos participou de nossas vidas, D. Maria Helena Figueiredo Steiner, D. Yolanda de Paiva Marcucci, D. Carmela Amoroso Galvão, a competente diretora do primário nos anos 70 e o Prof Fábio de Barros Gomes.
     Gostaria de fazer um agradecimento especial ao Dr Modesto Carvalhosa, este caetanista, um dos heróis que mobilizou toda a sociedade em prol da nossa causa, evitando que nossa escola fosse demolida. Se hoje estamos sentados aqui, devemos isso a ele e aos que o apoiaram.
    Temos até um hino. Quantas escolas têm hino? O Romão Puigari, autor da letra ,faleceu em 1904, portanto o hino tem mais de cem anos. Resgatamos neste ano o hino, letra e música, que muitos de nós aprendeu a cantar com o professor Rui Botti Cartolano.

    Queria lembrar a D. Iracema Marques da Silveira , que sempre defendeu a Biblioteca Infantil , em momentos que até foi ameaçada de extinção  sentou-se numa cadeira na frente da biblioteca e só saiu quando o diretor mudou de idéia. Colaborou com os alunos na edição do Jornal Nosso Esforço,  um de nossos maiores tesouros presentes em nosso acervo.

    D. Wilma Roberto Bozzo, que além de caetanista com C maiúsculo assumiu a biblioteca e o museu infantil e, após a aposentadoria de D. Iracema recebeu minha geração de braços abertos, com muito carinho e dedicação, quarenta e cinco anos passados nesta casa.
    Gostaria de lembrar também todos os funcionários, dos serventes ao ascensorista, do pessoal do barzinho aos orientadores, dos médicos e dentistas, enfim ,a todos que participaram de nossas vidas naqueles anos incríveis.
    Queridos professores e colegas, se hoje estamos aqui, é porque toda a enegia gasta por todos aqueles que se dedicaram de corpo e alma para esta escola ter sido o que foi, não foi em vão. Parte de todos eles estão em nós. Somos, como disse no início, todos cúmplices de uma escola que quem teve a sorte de conhecer jamais esquecerá e passará adiante seus valores. Os valores de Caetano de Campos.

     

    Teresinha Ivete, Marco Antonio, eu e Márcia, amigos para sempre!

     

    Foto da turma na escadaria principal, aproveitamos e cantamos nosso hino novamente!
                                                           Um dia inesquecível para todos nós!



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