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Caetano de Campos: A escola que mudou o Brasil

Matérias variadas

  • Sábado, 05 de Novembro de 2011
    Vacinao no Caetano de Campos
  • Em 1947, Adhemar de Barros emite comunicado exigindo a imunização de professores e funcionários de nossa escola contra varíola.
    Na década de 1960, os alunos recebem as gotinhas contra pólio .
    Em 1971, fomos todos tomar vacina num centro de saúde bem perto da escola, todos andando até o posto.
    Em 1974, no auge da meningite, todos os alunos da escola foram vacinados nas salas de aula, formando longas filas, como nos dias de eleição e com aquela pistola no lugar de seringas, fomos todos vacinados após um espera de meses.
    O governo militar, sem ter se precavido com a fabricação de vacinas se viu no meio de uma epidemia que tentou esconder dos meios de comunicação, mas quando a doença chegou às áreas centrais da cidade, não teve como impedir, a epidemia  devastadora em 6 meses matou milhares de pessoas.
    O governo que cuidava da vacinação através do Instituto Butantan, e se viu obrigado a importar vacinas do exterior e demorou meses a chegar no Brasil.
    Eu cursava, então a quarta série e nossa professora D. Kyiome tentava nos orientar dando conselhos quanto à nossa higiene e até mesmo na execução de uns saquinhos com quadradinhos de cânfora embalados em tecido e pendurados em nosso pescoço, parecendo até um talismã contra aquela terrível doença.
    As escolas da periferia tiveram a preferência na vacinação, nossa escola foi a última a ser atendida.
     O diretor Fábio de Barros Gomes teve que providenciar  segurança, pois pessoas estranhas à escola queriam invadi-la para tentar ser vacinadas. As pessoas estavam desesperadas. Eu mesma fui levada pela minha mãe para tentar ser vacinada numa escola da periferia. Caso sobrasse vacina de algum aluno que tivesse faltado, mas não tivemos êxito.
    Minha classe havia ganho na Festa da Pipoca o concurso de miss caipirinha, pois foi a classe que mais vendeu rifas para a festa junina. Como prêmio iríamos para Campos do Jordão. Alguns alunos temendo a doença não foram, pois viajar em ônibus fechado era arriscado! Eu perdi uma das maiores aventuras da minha vida, nunca mais esqueci.

     

     1962- Jornal Nosso Esforço

     

      Foto original usado no jornalsinho

     

      1962-caderno da normalista Maria Lúcia Camargo- matéria da cadeira de Puericultura

     

    1962- jornal Nosso Esforço: aluno escreve sobre Albert Sabin no mês da vacinação

     

    Folha de São Paulo- Abril de 1974 - secretário da Saúde tenta minimizar - em 3 meses milhares de pessoas já haviam morrido e o Hospital Emílio Ribas estava repleto de pacientes.

     

    A pistola de vacinação criada no final da década de 1960 foi amplamente usada em 1974

     

    1974- setembro- Folha de São Paulo- pessoas reclamam que tentam ser vacinadas com o que sobrou de vacinas numa escola e que elas foram para o lixo ao invés de serem aproveitadas na população,isso acontecia sempre.

     

    Outubro de 1974- Folha de São Paulo- nossa escola fazia parte da lista das últimas a receberem a vacina

     

    Folha de São Paulo- outubro de 1974 anunciando a finalização da vacinação escolar e suspendendo os Jogos Panamericanos devido a epidemia.

    Em 1975 o governo providenciou a vinda de mais doses da vacina para o resto da população que não havia conseguido ser vacinada. Muita gente morreu ainda naquele ano.



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