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Caetano de Campos: A escola que mudou o Brasil

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  • Terça-Feira, 14 de Fevereiro de 2012
    Benedito Barros Barreto: Belmonte
  • Belmonte nasceu em  15 de maio de 1896, na cidade de São Paulo, onde viveu toda sua vida.Depois de ter perdido o pai, João Carneiro Bastos Barreto, médico de profissão, quando Belmonte tinha 2 anos de idade, sua família parece ter enfrentado dificuldades financeiras. Mesmo assim , a mãe de Belmonte nunca descuidou da educação. Ele foi matriculado na Escola Modelo, anexa à Normal , mais tarde transferido para o ginásio Macedo Soares( do professor formado pela Escola Normal e também mestre da mesma) e depois para o Instituto de Ciências e Letras.
    Após concluir seus estudos no Instituto matriculou-se na Faculdade de Medicina da Rua Brigadeiro Tobias, mas lá permaneceu por pouco tempo , pois gostava mesmo de desenhar e escrever. Em 1914, ele conseguiu publicar pela primeira vez um desenho seu na revista Humorística Rio Branco.

     

    No ano seguinte passa a ser um dos principais colaboradores da revista Alvorada, assinando as ilustrações como Barreto, e de outras publicações como: Miscellanea, Radium, Cosmos, Revista da Semana, Dom Quixote, Fon-Fon!. Apesar da relativa notoriedade no fim dos anos 1910, seu desenho mostra-se bastante influenciado pelo grande caricaturista J. Carlos (1884 - 1950), a quem reconhece como mestre e de quem nunca se liberta completamente.
    Benedito Barros Barreto, Belmonte, é um dos caricaturistas mais importantes em atividade em São Paulo na primeira metade do século XX, além de ser jornalista e cronista.
    A transformação do ilustrador Barreto no chargista Belmonte dá-se em 1921, quando é convidado pelo amigo o jornalista Paulo Duarte a substituir Voltolino (1884 - 1926), caricaturista da vida paulistana na Folha da Noite ( hoje Folha de São Paulo) .
    Suas charges diárias, por vezes com referências eruditas, tratam tanto de política quanto do cotidiano da cidade, como o descaso das autoridades pelos monumentos públicos, a urbanização desenfreada que derrubava prédios, o problema da arborização, as pichações políticas.

    Durante pelo menos 20 anos, nas décadas de 1930 e 1940, um dos personagens mais populares no dia-a-dia dos paulistanos não era de carne e osso. Era uma figura de páginas impressas, mordaz, gentil e defensor dos fracos. Era o Juca Pato, criação imortal do jornalista, cartunista, chargista e caricaturista Belmonte para a qual havia sido contratado como ilustrador, que criou sua imortal obra.

     

    Juca Pato era careca, segundo o seu autor, de “tanto levar na cabeça”, e adotava o lema conformista “podia ser pior ”, que virou bordão na cidade de São Paulo e atravessou fronteiras. Belmonte também escrevia reportagens e ilustrava livros, ( assim fez o colega do Caetano de Campos, Antonio Paim Vieira)  também ilustrou livros de Monteiro Lobato.

    Na Revolução de 32 criou a estampa do "bonus de guerra"que circulou como dinheiro, substituindo a moeda oficial durante aquele período.

    Em 1935 teve o livro de suas crônicas publicadas "Idéias de João Ninguém"; as crônicas selecionadas foram tiradas das publicações feitas pela "Folha da Noite" no período compreendido entre 1933, 1934 e 1935.


    Durante a Segunda Guerra Mundial publicou charges que correram o mundo e teria despertado a ira do ministro da propaganda nazista. Diante de um desenho seu, ridicularizando os alemães, Goebbels teria desabafado: “Esse artista deve ter sido pago pelos aliados ingleses e norte-americanos”.

     

    Em 1946, à pedido da diretora da Escola Caetano de Campos, por ocasião da comemoração dos 100 anos da Escola Normal, desenhou o convite da festa organizada por ela no Teatro Municipal, pois ainda naquela época, como seu colega  contemporâneo e também ilustrador Antonio Paim Vieira, mantinha contato com a Escola.
    Belmonte não alcançou a velhice. Morreu na madrugada de 19 de abril de 1947, com cinquenta anos de uma moléstia pulmonar que o consumia havia anos.



    Em 1962, por sugestão de Marcos Rey, então segundo secretário da União Brasileira de Escritores, foi criado o "Troféu Juca Pato". Este prêmio seria dado ao melhor livro publicado no ano e, o autor, receberia o título de "Intelectual do ano". E por que Juca Pato? Porque Juca Pato era figura inteligente, careca, mal vestido num fraque, sempre se defendendo dos apertos, tal qual a maioria dos escritores que ganham pouco e lutam bastante para publicar seus livros.

     

    Lygia Fagundes Telles, também aluna da Escola Caetano de Campos, ao receber seu troféu Juca Pato



    Publicou as seguintes obras: "Angustias de Juca Pato" (album de caricaturas);
     "O amor através dos seculos" (album de caricaturas, edição de luxo);
     "Assim falou Juca Pato" ( crônicas humorísticas);

     

    "A cidade do Ouro" (livro para crianças);
     "Idéias de João Ninguem" (cronicas humoristicas,)
    "No reino da confusão" (album de caricaturas);
    "Música, maestro!" (album de caricaturas);
    "A guerra do Juca" (album de caricaturas);
    "No tempo dos Bandeirantes" ( livro de história).

     

    Fonte:
    Scowena, Sandra Maret: Nas linhas e entrelinhas do riso: as crônicas humorísticas de Belmonte

    Itaú Cultural: Benedito Bastos Barreto

    Jornal ABI - Associação brasileira de Imprensa- outubro de 2007- edição extra- 170 anos de caricatura no Brasil



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